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Lasier Martins
Senador pelo Podemos-RS

A história brasileira é repleta de surrealismos, mas o que ela desenha hoje no horizonte desafia até o mais ousado ficcionista. Quem imaginaria Lula, preso por chefiar o maior esquema criminoso do mundo, podendo receber ficha limpa para candidatar-se à Presidência? Para piorar, o que dizer da chance de o ex-juiz Sergio Moro, o rosto da Lava Jato, tornar-se réu por suposto abuso cometido na principal investida anticorrupção no país?

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que logo reduzirá de cinco para quatro ministros após a aposentadoria do decano Celso de Melo, poderá anular prisão de 12 anos imposta a Lula no processo do triplex, com base em alegada suspeição contra Moro. Com Gilmar Mendes e Ricardo Levandowski, de um lado, e Carmen Lúcia e Edson Fachin, do outro, deve dar empate a favor do réu. Melo, se estiver lá, tende ao ex-presidente.

Nessa mesma toada, pressões da esquerda e de líderes políticos implicados na Lava Jato e que tentam safar-se tentarão anular também o processo de Atibaia, na qual Lula foi condenado a mais 17 anos. Pronto! Aí estaria o sinal verde para o petista sair candidato em 2022, salvando consigo cerca de 150 outros condenados por Moro. Isso tudo com base no falso argumento de que o ex-juiz não foi isento, apesar das fartas provas dos crimes e autorias. E confirmações de duas instâncias superiores.

Como novela de horror prestes a virar realidade, personagens colocam em marcha a trama diabólica. A concertação incluiu a recente e absurda reunião do procurador-geral Augusto Aras com o chamado Grupo Prerrogativas, de ricos e famosos advogados de corruptos da Lava Jato. Foi naquele encontro virtual que o próprio PGR condenou o “lavajatismo” e exortou para a necessidade de dar “novo rumo” à força-tarefa de Curitiba.

Em paralelo, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) ambiciona punir Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa de Curitiba, em processo disciplinar gestado por Renan Calheiros. Trata-se de novo fato que parece carregar a marca do escritor tcheco Franz Kafka. Todos os episódios, contudo, são protagonizados pelos que conduzem convenientemente as próprias metamorfoses. Ao operarem pela inversão de papeis entre juiz e réu, os kafkanianos ameaçam a democracia e a Justiça.