Em audiência pública com o ministro da Secretaria Nacional de Portos, Edinho Araújo, no dia 15 de julho, o senador Lasier Martins pediu explicações sobre investimentos previstos para ações de infraestrutura e logística no Rio Grande do Sul.  “Fiquei com uma inveja positiva, tendo em vista que o que interessa é o desenvolvimento do Brasil como um todo, mas quando vi que serão destinados bilhões de reais para São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas e revelaram aqui da modéstia quantia de R$ 123 milhões para o meu Estado, achei pouco”, comentou o senador na ocasião. 

Lasier chamou atenção do ministro para o fato de o Estado contar com um dos cinco maiores portos do país – o porto de Rio Grande onde se instalou o Polo Naval que, segundo ele, bateu recorde de cargas no ano passado – e questionou sobre medidas e investimentos para melhoria da dragagem no porto, que tem calado muito baixo e precisa ser modernizado.

“O Rio Grande do Sul é um dos cinco maiores estados exportadores do País. Temos soja, fertilizantes, celulose, automóveis, carnes, uma gama enorme de produtos, mas precisamos melhorar a dragagem”, alertou Lasier.

O ministro Edinho reconheceu o Polo Naval de Rio Grande como fundamental para o país e disse, durante a audiência, que recentemente recebeu os investidores na busca de  soluções para dragagem e modernização.  No que diz respeito aos recursos para o Estado, explicou que de fato os R$ 123 milhões previstos e informados na reunião eram de origem privada, que tratam de uma possibilidade de recursos tendo em vista os estudos realizados pelo órgão. No entanto, explicou que a pasta prevê investimentos públicos para o Rio Grande do Sul da ordem de R$ 400 milhões. Lasier pediu a confirmação de que o montante será liberado mesmo em época de contingenciamento no Orçamento, mas não obteve do ministro nenhuma afirmação a respeito.

Lagoa dos Patos – Sobre o tráfego hidroviário pela Lagoa dos Patos, declarando ser um grande anseio da população, Lasier solicitou providências e explicou os benefícios que a ação traria para o Estado, uma vez que a região “tem muitos rios, com possibilidade extraordinária para transporte tanto de cargas como de passageiros de Porto Alegre até Rio Grande, passando por Pelotas em um percurso de cerca de 300 km pela Lagoa”. E afirmou: “Basta haver a dragagem e a sinalização, o que não apresenta grande dificuldade, até pelo que andei analisando a destinação de investimento para isto seria de R$ 60 milhões, o que representa quase nada diante das somas reservadas aos outros portos”. O parlamentar explicou que o transporte hidroviário de cargas de Porto Alegre à Rio Grande representaria uma economia extraordinária, uma vez que atualmente neste trajeto existem cinco postos de pedágios nas rodovias com taxas altas e caminhões e transportadoras de cargas têm queixas permanentes quanto a isto. “Se tivermos este transporte fluvial de cargas, há exemplo do que existe na Alemanha, estaremos reduzindo e muito o custo Brasil”, completou.

Edinho concordou que a navegação na Lagoa dos Patos pode trazer inúmeras soluções, como competitividade, além de ser uma modalidade mais segura de transporte e possibilitar a diminuição de caminhões nas rodovias. Disse que cabotagem é uma área ligada diretamente ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - DNIT e não a secretaria de Portos, mas aguarda resultado de estudo sobre o assunto envolvendo investimentos em parceria com o Banco Mundial e acredita que é preciso avançar nesta questão.