BANNERS Revolução Farroupilha Nestes 180 anos da Revolução Farroupilha, que o Rio Grande do Sul comemorou no último dia 20 de setembro com civismo e orgulho de sua cultura e de sua História, cabe uma reflexão lateral ao grande fato dominante desse episódio marcante de nosso Estado. Além do separatismo, que aparece hoje como questão central, havia muitas outras de grande profundidade que levaram a Província de São Pedro a se levantar em armas contra o império mais poderoso da Américas.

No início do Século XIX, o Rio Grande vivia um período de transição de uma economia coletora, baseada na extração de couro e chifres de gado alçado no sentido da industrialização da carne, pela indústria do charque. Ou seja: a província procurava desenvolver o beneficiamento e manufatura de um produto até então desprezado, a carne do gado vacum. Isto gerou demandas e tensões.

Já em 1817, no primeiro volume de seu livro Memórias Econômo-Políticas, Antônio Gonçalves Chaves clamava por uma política industrial de apoio ao setor secundário da economia. Com isto, defendia que, ao contrário do que hoje dizem muitos historiadores, o charque não era um sub-produto da pecuária. Afirmava que a criação de gado era fornecedora de matéria-prima para uma indústria nascente e em fase de integração no mercado internacional.

Nos dois volumes seguintes, de 1821 e 1822, ainda antes da Independência, Gonçalves Chaves reclamava da insensibilidade do governo central brasileiro a essas necessidades, propondo investimentos em infraestrutura e incentivos fiscais para o desenvolvimento econômico.

Essas demandas não foram atendidas e as tensões não evoluíram porque a Guerra da Cisplatina monopolizou a atenção de todos. Terminado o conflito no Prata, o problema foi crescendo: o segmento dinâmico da economia, localizado na metade sul, sendo sufocado pela burocracia e pelo mercantilismo do governo central de Porto Alegre.

Esta situação levou a indústria, e seus parceiros da pecuária, da insatisfação para a hostilidade e, em seguida, à guerra civil, pois naqueles tempos tudo se resolvia de armas na mão. Os fatos subsequentes são conhecidos: luta armada, separatismo e, no final, um acordo político que muitos ainda chamam de Tratado de Ponche Verde.

Concluído o conflito a indústria da carne assumiu o protagonismo da economia rio-grandense e trouxe o Estado pelos 100 anos seguintes, como motor de seu desenvolvimento.

Nos últimos 50 anos a indústria da carne perdeu sua importância relativa, com seus efeitos negativos para a metade sul do Estado. Pensando nisto é que estou trabalhando no Senado para obter mecanismos de apoio a essa região, hoje considerada decadente, retome sua posição na economia do Rio Grande do Sul e do Brasil. Nenhum momento mais adequado para falar desse tema que o aniversário da Revolução Farroupilha para relançar este tema.